Ambiente de trabalho estilo matrix atrapalha o andamento

Por Oscar Correia | 08/12/2016

 

No filme vemos um ambiente meio escuro, uma máquina inteligente que escraviza, empatia, influência, controle de pessoas, egos e a manipulação, tudo isso não é uma novidade dentro de algumas organizações, em nossa realidade algumas dessas palavras só trocaram de sinônimo. Para alcançar os objetivos dentro de organizações, não podem haver concorrências internas, trabalhar em equipe é uma das ferramentas primordiais e é apenas com espírito de equipe que uma empresa vai conseguir seu espaço no mercado, pois se a mesma conseguir êxito em suas metas, está será uma vitória de todos. Utilizando-se da frase de um dos personagens no filme, “Mas eu só posso lhe mostrar a porta. Você é quem tem que atravessá-la", pode-se dizer que a porta é uma metáfora para o conhecimento que um indivíduo deve adquirir para poder fazer a sua parte na busca do "maior bem".

 Em muitas organizações hoje em dia a inovação não está acontecendo rápido o suficiente. Dentro destas empresas as competências são silos e os recursos estão desalinhados, quando um dos colaboradores tem a ideia para melhorar determinado setor ou projeto, toma a coragem e expõe seu plano de ação ao gerente explicando que isso trará o cliente para ficar mais próximo, de modo que conseguirão até um segundo projeto, e que agora ficará: pessoas em primeiro lugar, processos em segundo, trazendo uma cadeia de valores e benefícios agregados no processo. Diante disso tudo, o gerente explica que, como sempre funcionou desta forma sem um processo, então não implementará está ideia, expressando-se através de longas cadeias de raciocínio, conectados por marcadores de discurso, bem como um outro personagem do filme.

 Os colaboradores com boas ideias não querem só tentar corrigir as coisas que funcionam, querem ir além, enfocar e expandir tudo aquilo que funciona, eles têm uma forte ética do trabalho. A insistência em trazer o melhor para a empresa continua, outros entendem e compram sua ideia, vemos aqui uma característica em inspirar aqueles ao seu redor, uma das qualidades de um líder nato, “por que você persiste? ” pensa o gerente, na primeira oportunidade reconhece de forma errada quando chega a época da avaliação anual de desempenho. A co-criação da carreira destes colaboradores ficam sem o real fluido da dinâmica, não tem o verdadeiro reconhecimento da alta gerência, até porque sua ideia foi barrada.

 O que dizem as pesquisas

 Um estudo realizado por pesquisadores do NeuroLeadership Institute, nos Estados Unidos, aponta que o exercício de atribuir uma nota às pessoas, é o que acontece na avaliação anual de desempenho, ativa a mesma parte do cérebro responsável por ameaças físicas. Ficou evidente que o sistema tradicional estimula a concorrência entre pares em vez de incentivar o trabalho em equipe, o que pode criar um ambiente de trabalho pouco produtivo. Por isso que algumas boas ideias e líderes nato muitas vezes são barrados. 

Agentes Smiths

 Os “agentes Smiths” dentro da organização sempre explicam que nas primeiras versões desta matriz foram a utopia perfeita, não precisam melhorar nada. No entanto, as habilidades deste tipo de gerente são necessárias, mas não é o suficiente, a maneira que enxergam que um homem simples pode transformar a corporação, acaba se tornando uma ameaça para seu futuro, e o que se tem visto nesse caso é um esforço burocrático e pouco efetivo para o verdadeiro reconhecimento de alguns colaboradores com espírito de liderança.

 Como as empresas buscam acelerar a inovação e cumprir os seus objetivos de crescimento e de receitas, eles têm de obter a máxima utilidade de todas as suas aplicações, “a negação é a mais previsível de todas as respostas humanas”, a negação para alguns assuntos simples que, com boas práticas podem ser resolvidos, acabam se transformando em caóticos e os momentos de apertos dentro da empresa, cria um conjunto de seguidores que agem porque foram seduzidos, mas não inspirados.  

 Os líderes e organizações com a capacidade natural de nos inspirar, são relativamente poucas, para mudar este quadro os colaboradores precisam ser encorajados a pensar por eles mesmos e a se auto-administrar, ao incentivar o livre pensamento, as empresas se preparam melhor para enfrentar o cenário ultracompetitivo que existe atualmente, o contrário acontece nas empresas que valorizam o gerenciamento do detalhe, neste segundo exemplo, todo mundo tem medo de pensar e agir por contra própria, “cedo ou tarde, você vai aprender, assim como eu aprendi, que existe uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho”, algumas empresas até fazem treinamento para os gerentes, mas só para cumprir meta ou executar um pedido da filial, não trilham o caminho da qual aprenderam no curso, todo esse quadro deixa a empresa menos competitiva e acaba ficando mal vista no mercado.

 Mas e se todos nós pudéssemos aprender a agir, pensar e se comunicar como os líderes que nos inspiram? e se alguns destes líderes estivessem trabalhando na mesma empresa que nós? não teríamos mais poucos escolhidos, mas seriamos a maioria que iria fazer grande diferença. Teríamos equipes mais diversificadas que iram ajudar as pessoas a desenvolver competências relacionadas aos objetivos da empresa, tais como a capacidade de ouvir com respeito os diferentes pontos de vista. Organizações estão com problemas com nova geração Y em relação a este ponto. Criar programas de formação de nível empresarial para jovens líderes seria uma realidade constante, teriam uma visão de toda a empresa, recebendo a exposição de valor inestimável para a seleção de líderes empresariais, trabalhando em diferentes áreas funcionais da empresa. Um líder que passa sua carreira preso em uma única unidade, ou ao mesmo tipo de projeto, terá uma perspectiva insular.

 Teríamos como facilitar os diferentes tipos de experiência de liderança, por exemplo, líderes de nível médio, teriam a oportunidade de assumir papéis diferentes fora da linha de gestão em funções como estratégia, ou financeiro, eles podem ganhar uma experiência valiosa. 

Minimizando a probabilidade de naufrágio 

Os líderes mais antigos acostumados com a velha ordem hierárquica, as burocracias que minam o espírito competitivo da empresa, e que agora encontram-se diante de um mar de mudanças tecnológicas, podem minimizar a probabilidade de naufrágio seguindo alguns passos: 

  • Identificar lacunas de competências e corrigi-los como a empatia, gestão de conflitos, influência e autoconhecimento, são capacidades que podem ser adquiridas ou melhoradas com coaching, treinamento e muita prática. Se suspeitar que está precisando de ajuda em uma ou mais áreas, adotar uma abordagem proativa e começar a procurar maneiras de desenvolver e aguçar essas habilidades, não tenha medo de pedir feedback sobre onde você possa ter lacunas.
  • Não tente usar hierarquia ou sua influência com a Diretoria para resolver problemas, essa autoridade formal sobre os membros da equipe, podem trazer vários tipos de transtornos. Esse é um ponto muito comum em várias empresas e quase todos conhecem alguém assim. Neste ponto irei parafrasear outro membro do filme “Você precisa entender, a maioria destas pessoas não está preparada para despertar. E muitas delas estão tão inertes, tão desesperadamente dependentes do sistema, que irão lutar para protegê-lo”.
  • Resista a tentação de escalar problemas para a gerência sênior, procure maneiras para resolver conflitos e de escutar os problemas da sua equipe, analise todos os pontos, não escute somente uma pessoa, mas sim todas as partes envolvidas.
  • Lide com os problemas emocionais decorrente em um dos membros da sua equipe face a face, não através de e-mail, Skype ou telefone porque a falta de nuance pode ser muitas vezes mal interpretada da pior maneira possível, destruindo a confiança sobre a qual o liderado tinha sobre o líder. Mostre empatia através de um sorriso. 

Todas essas habilidades ou a falta delas podem ser identificadas, desenvolvidas e afinadas, se a empresa não tomar a iniciativa, o próprio líder pode começar individualmente, cultivar essas capacidades de liderança relacionadas a pessoas são cruciais, “não pense que é capaz, saiba que é”. Resultados revelam uma convergência notável em direção a um conjunto de gerenciamento de objetivos, princípios e valores que são marcadamente diferentes das práticas de gerenciamento hierárquico inovador. 

Oscar Correia      – Engenheiro de Testes no Fit - Flextronics

                          – Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

                          –  Project management volunteer

                          – Certificação: CSM e CSP

                          – Palestrante orientado a evento de Qualidade de Software e Scrum Gathering                                                                                                                   – Escritor contratado pela editora Tate Publishing, USA

 


Gostou do artigo? Compartilhe para que seus amigos também possam ler.